Se para olharmos
o mundo
hoje em dia
é preciso distorcermos
o olhar
já que o mundo
ele próprio
se apresenta torto
pois que o distorçamos
mas não nos desviemos
nunca
daquilo que verdadeiramente
importa
.
MG
quarta-feira, janeiro 16, 2013
sábado, dezembro 15, 2012
Armas//poemas
Todas as armas
fossem poemas
e, aí sim
seríamos livres
para atingir
fossem poemas
e, aí sim
seríamos livres
para atingir
quem quiséssemos
na cabeça ou
no coração
na cabeça ou
no coração
.
MG 2012
sexta-feira, dezembro 14, 2012
Poemas mimados
Há poemas
tão mimados
que sempre que
lhes impomos limites
regras e horários
fazem birra
e não nos saem
mesmo
da cabeça
.
MG 2012
tão mimados
que sempre que
lhes impomos limites
regras e horários
fazem birra
e não nos saem
mesmo
da cabeça
.
MG 2012
quinta-feira, dezembro 13, 2012
Poemas//minas
Há poemas
que estão minados
sem aviso
a verdade
das palavras
rebenta-nos
em cima
.
MG 2012
que estão minados
sem aviso
a verdade
das palavras
rebenta-nos
em cima
.
MG 2012
sábado, dezembro 08, 2012
[Um poema para o meu amor]
Há um verdadeiro potencial
destrutivo
em tudo aquilo que escrevemos,
dizemos, vertemos
pela boca
um discurso
capaz de desmantelar
a assertividade do nosso amor
a força desta coisa enorme
e a verdade é que
é quase impossível destruí-lo
mas uma simples distracção
é uma armadilha
um mero descuido tem a força
de confundir a utopia
das nossas certezas
e da pior forma possível
nos convencemos
que não há doutrinas
ultra-revolucionárias
livros capazes de nos ensinar
certificados que comprovem
a ciência da unificação
contemos apenas
com o programa rigoroso
do nosso olhar
e deixemos-nos andar
assim
porque como se diz
por aí
enquanto isto dura
é doçura
.
MG 2012
sábado, dezembro 01, 2012
a mecânica das coisas
a verdade é que
resvalamos
mais facilmente
para o sonho
sempre que
mergulhamos
resvalamos
mais facilmente
para o sonho
sempre que
mergulhamos
fundo na vida
e torna-se fácil
falar da solidão
recordarmos o início
de tudo, a mecânica
das coisas
em dias nebulosos
daqueles em que
nada de importante
acontece
e torna-se fácil
falar da solidão
recordarmos o início
de tudo, a mecânica
das coisas
em dias nebulosos
daqueles em que
nada de importante
acontece
.
MG 2012
terça-feira, novembro 20, 2012
um fogo selvagem
o amor é um fogo selvagem
primeiro custa a atear
depois não dás conta dele
.
MG 2012
primeiro custa a atear
depois não dás conta dele
.
MG 2012
quinta-feira, novembro 15, 2012
de olhos bem abertos
um dia
a nossa voz
inundará de verdade
o mundo
a realidade
das casas erguidas
com gritos de amor
não desanimemos
que nada se vai
assim sem mais
nós não ardemos
só porque nos querem
de olhos bem fechados
é imensamente forte
aquilo que construímos
e nada extingue
o calor das palavras
a necessária respiração
de um texto como este
as chamas são
o nosso refúgio
o fogo das nossas conquistas
a queimar
uma qualquer
folha de papel
um dia o medo
será a nossa força
um falcão
de asas ao vento
voando livre
vendo o mundo
de cima
.
MG 2012
a nossa voz
inundará de verdade
o mundo
a realidade
das casas erguidas
com gritos de amor
não desanimemos
que nada se vai
assim sem mais
nós não ardemos
só porque nos querem
de olhos bem fechados
é imensamente forte
aquilo que construímos
e nada extingue
o calor das palavras
a necessária respiração
de um texto como este
as chamas são
o nosso refúgio
o fogo das nossas conquistas
a queimar
uma qualquer
folha de papel
um dia o medo
será a nossa força
um falcão
de asas ao vento
voando livre
vendo o mundo
de cima
.
MG 2012
quinta-feira, novembro 01, 2012
1 de novembro
Em Faro morava em frente ao cemitério. Via-o de cima, de um quarto andar. Tinha uma vizinha que quando o sol se punha não saía de casa. Entrava no prédio pela porta de trás. A minha mãe costumava dizer-lhe - ainda diz - que não temos de ter medo de quem já partiu. Quem por cá ainda anda é muito mais perigoso. Lembrei-me disso porque hoje é dia de recordar os nossos que já partiram, nós que havemos de partir. É tempo disso tudo, sem medos. É tempo de pensarmos que um dia estaremos todos juntos outra vez, num lugar qualquer, num tempo que não existe. Como sempre foi o tempo, antes de cá virmos, e depois, quando partirmos: uma coisa que não existe.
é tempo sei lá já do quê
às vezes apetece-me encher
isto de linques
e pensamentos apolíticos
mas que raio
disso estamos todos fartos.
isto de linques
e pensamentos apolíticos
mas que raio
disso estamos todos fartos.
A partir de agora só bombas,
querosene, gasolina,
verilaites verbais
e coqueteiles holofotes.
Raios ta partam
se o mundo está feio
e eu não quero torná-lo mais
feio do que ele já é
quero contribuir
para uma limpeza necessária
um feicelift
as palavras por si só
estão a mais
é preciso mais acção,
pluralidade, mais revoltas
partidárias
é tempo de nos amarmos
outra vez
é tempo sei lá
já do quê
.
MG 2012
querosene, gasolina,
verilaites verbais
e coqueteiles holofotes.
Raios ta partam
se o mundo está feio
e eu não quero torná-lo mais
feio do que ele já é
quero contribuir
para uma limpeza necessária
um feicelift
as palavras por si só
estão a mais
é preciso mais acção,
pluralidade, mais revoltas
partidárias
é tempo de nos amarmos
outra vez
é tempo sei lá
já do quê
.
MG 2012
segunda-feira, outubro 22, 2012
A força dos ventos
e como custa
a selvajaria dos dias
o desrespeito e a ignorância
a poesia renascentista
em tempos de desilusão
a força dos ventos favoráveis
na ilusão de alguns
quando a borrasca
é mais que evidente
e como custa
ser suplente num jogo
para o qual fomos
convocados à força
a potência da verdade
as mãos atadas
no corpo caído
enquanto tudo
arde
.
MG 2012
agora que penso nisso
agora que penso nisso
a sério
se calhar não é assim
tão mau
é por uma causa
maior
um portugal moderno
ao jeito
sul-europeu
.
MG 2012
Poemário orçamental [24]
Este podia muito bem ter sido
mais um poema de amor
escrito a pensar em ti
não tivesse sido ele redigido
sob um clima de austeridade
e as palavras fossem já
tão caras ou difíceis de obter
achei mais prudente não avançar
tamanho foi o receio de não ser capaz
de honrar esse outrora
tão mais fácil compromisso
.
MG 2012
quarta-feira, setembro 19, 2012
Das equivalências
Um raio
que os parta
é equivalente
(tem o mesmo
número de créditos)
que um puta
que os pariu
.
MG 2012
que os parta
é equivalente
(tem o mesmo
número de créditos)
que um puta
que os pariu
.
MG 2012
Poemário orçamental [23]
A poesia:
um paraíso fiscal
uma região autónoma
livre de tributação
.
MG 2012
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