terça-feira, abril 26, 2011

era preciso um tempo para nós


era preciso um tempo para nós
outra vez
alguém que nos soubesse explicar a nós próprios
um tempo em que nos pudéssemos despir 
de quem somos
todos os dias
era preciso que tivéssemos tempo
e que nos ouvíssemos
que soubéssemos gritar na noite escura
era preciso sermos crianças
outra vez
era preciso que fossemos mais nós
era preciso, outra vez

MG 2011

terça-feira, abril 19, 2011

Poema manchado de ti

bandido na noite celeste
arlequim
monarca deste tempo só meu
amante idealista
(um poeta do asfalto)
trovador de instantes
num perverso desejo de viver
caneta papel e um grito de mim

e porque de um corpo nu
pouco mais há a dizer,
a tua inocência
na fresca humidade toldada:
o teu nome
no silêncio do quarto
a resvalar das sombras.
o poema acontece
outra vez
manchado de ti

MG 2011

terça-feira, abril 12, 2011

Brutal
Fernando Esteves Pinto
Ulisseia / 2011

«Brutal é um romance onde se representam todos os traumas da infância, da adolescência e da idade adulta resultantes da decadência humana: violência doméstica, abuso sexual e disfunção emocional. Brutal tem como base narrativa dois personagens que são um só – um jovem e um velho, duas idades da mesma pessoa, ambos fascinados pelo teatro – que, no cenário das suas próprias vidas, dramatizam impiedosamente os momentos que fundamentam e marcam as suas existências. Nesse palco do romance são postos em causa e analisados, até à humilhação de se sentirem culpados um do outro, na relação perversa que ambos sentem pela natureza humana. É um duelo entre a maldade e o remorso, onde o amor e a escrita são meros figurantes.»

sábado, abril 09, 2011

Série «O Algarve» [1]


Aguarela

MG 2011

quinta-feira, março 31, 2011

Estilhaços


Nos estilhaços da memória, um nome quase esquecido ainda lacera.


MG 2011

domingo, março 20, 2011


Ensaio dominical; uma BIC e a folha branca

segunda-feira, março 07, 2011

Se tudo aquilo existiu então ainda existe (I)

Agora tudo é indiferente
as pálpebras são incapazes
de segurar o sono;
é como um cortejo antigo
que devolve nomes vazios
e sem que me dê conta
regresso
sem pensar em nada
ao subúrbio onde cresci
às lições da professora zézinha
mas entretanto algo mudou
já não protesto quando me vejo sozinho
o resto não conta
(houve tanta gente que se foi)
e porque a memória é feita de nós todos
nunca me despedi verdadeiramente de ninguém

MG 2011
Apresentação "Os nossos dias" - B.M. de Olhão, 18 Março, 18h00
Verdade entre parêntesis

Nas revoltas adolescentes
a consciência de que tudo era possível
nos enredos que inventávamos
sem medo das cicatrizes.
As palavras tolas foram as mais saborosas
(e eu guardei-te para sempre o olhar)
na cegueira dos voos nocturnos
por entre os pinhais que ainda ardem
incessantemente como sangue.
Descobria o teu nome em todas as esquinas
e continuava a escrever o mesmo poema
sem preocupações,
sem que nada me incomodasse.
O suor dos nossos corpos, os disfarces inspirados,
e os antigos jogos de sedução
que não morreram e não me deixaram morrer…
A luz é eterna na fragilidade dos sonhos
e os amores antigos são tão selvagens

MG 2011

sábado, março 05, 2011



Do silêncio


ao fim do dia sentas-te em silêncio
e pensas o pensamento;
pensas o poema, o acto de pensar 
e o silêncio, o teu próprio silêncio;
e pensas no silêncio daqueles que talvez 
devessem ter dito alguma coisa
num determinado momento da tua vida;
porque o silêncio só é perfeito para quem quer dizer, 
não para quem quer ouvir


Miguel Godinho

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

O vazio da folha

o poema pode ser só
o teu nome
escrito
no vazio da folha


MG 2011

sábado, janeiro 22, 2011

a vida num segundo

o que gostávamos mesmo
era de beber vinho barato
que nem putos rebeldes
como se não houvesse amanhã;
de dançar na chuva
como se descobríssemos
a loucura a cada instante.
Naqueles dias insuspeitos
vibrávamos com o futuro
e foda-se, como queríamos
compreender a vida,
como éramos amigos das mesmas coisas
meu amor, minha loucura, meu amigo de sempre
como se nos revelava o mundo
sempre que reconhecíamos um poema
na incoerência desta selva;
e tudo durava um segundo, tudo cedo acabava
sem nunca verdadeiramente terminar

MG 2011

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Enquanto as palavras se evaporam

o tempo é agora
e tudo está a mudar.
não tentes segurar as horas
que elas te escorrem;
estás perdido no tempo,
nas tuas horas, nos teus minutos,
décadas, estás perdido em ti;
e o teu cérebro é o teu mundo,
a tua adolescência
misturada no teu agora
depois de vinte anos vinte
que de repente se tornaram trinta, 
quarenta, cinquenta, dez
porque tudo é agora, tudo és tu
ainda e sempre aqui
enquanto as palavras se evaporam

MG 2011

sábado, janeiro 08, 2011

Por isso não respondas

continuo a ver na distância
do teu nome uma criança a gritar
silêncio no corredor do sonho;    
a cicatriz e o peso da memória
(e como cresceste meu amor)
mas as palavras são perpétuas
- por isso não respondas -
aquele verão foi mesmo uma desordem:
o sabor metálico da saliva
escorrendo lentamente
nos teus lábios selvagens
e à noite o vapor das narinas
- lembras-te?
já não consigo ver o incêndio
mas se por acaso os teus passos
irrompessem na minha direcção
era fácil afogar-me no fogo,
outra vez

MG 2010

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Aqui tens o meu mundo

























Esferográfica s/ papel A4


MG 2001

terça-feira, janeiro 04, 2011

Tantas vezes sou só o silêncio

Tantas vezes sou só o silêncio
de uma memória antiga,
por debaixo do tapete,
num olhar distante.
Viajo sem destino,
sem sair do mesmo lugar,
num desejo de gritar o teu nome,
num delírio de ainda te sentir aqui

MG 201

quarta-feira, dezembro 29, 2010

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Doze memórias doze

Não é a memória que tropeça no poema
é o poema que emerge sempre
em viva voz da clara luz dos teus olhos
doze anos e doze poemas afins
doze memórias doze vinte cinquenta cem
os anos não importam
porque a memória resgata sempre
o vicioso poema – o teu olhar
à distância que nos separa

MG 2010

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Poema de 1988

"(...) A professora deixou-nos olhar para a borboleta

para nós fazermos um texto e o texto é este."

MG 1988



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segunda-feira, dezembro 13, 2010

Mãos que acalmam
Tratto clip s/ papel A3 / MG 2006