quarta-feira, dezembro 01, 2010

se te esqueces não volta mais

uma lâmpada fundida
abranda o desenho
do teu nome na areia
lenta
no fluxo desta insónia dunar
os cabelos longínquos
desgrenhados na ausência
mas porque é que desististe assim
sem mais

e agora

uma flor lilás içada para lá do mundo
ao encontro de uma outra coisa qualquer
distante
um lago no olhar
a memória dissimulada
e em cada gesto uma sensação
de perfume vazio
a casa cansada
os corpos no escuro

uma lâmpada fundida é o princípio de tudo
se te esqueces não volta mais
e se volta já vem diferente

MG

terça-feira, novembro 30, 2010

E de repente o ardor
























Tratto clip s/ papel / 30x42cm

MG / 2008

segunda-feira, novembro 29, 2010

Por trás do rosto
























Carvão s/ papel | 30x42cm | MG 2008

quinta-feira, novembro 18, 2010

Somos tantos num só























Carvão s/ papel | 21x30cm | MG 2001

sábado, novembro 13, 2010

duas mãos duas

Colagem riscada s/ fotocópia | 30x40cm | MG 2006

sexta-feira, novembro 12, 2010

Day dreaming

«do you see me standing still
under a waterfall in tiny swimwear?»
you ask me once again
on this twenty inches monitor

in this friday afternoon dream
i go wild and i don't care
after drin...kin...kin’ another fast tequilla
under my computer desk

MG 2010

quarta-feira, novembro 10, 2010

Fátimah

[Pormenor] |  Pastel sobre tela | 70x30cm | MG 2004

terça-feira, novembro 09, 2010

Desenhos [2]

Às vezes ladramos à lua
que nem cães em fúria


segunda-feira, novembro 08, 2010


Desenhos

MG 2010

domingo, novembro 07, 2010

Os pinhais em chamas

Às vezes os silêncios
gritam-nos aos ouvidos;
o desconforto logo às primeiras
horas da manhã;
a reverberação adolescente;
os teus olhos reflectidos
no incêndio das águas de novembro

são seis e vinte e dois de dois mil e dez
mas parece que estes doze anos não foram suficientes
para me convencer que nunca mais
aquilo que quase fomos poderá voltar a ser
a lentidão das tardes em que me escorrias
pelo corpo
e a luz crepuscular
na volúpia indiferente dos teus olhos:
o lirismo dos dezanove

e porque esta noite sinto outra vez
a falta dos palácios que erguíamos
a olhar os pinhais em chamas
estou tentado a deixar que o poema
seja a memória daquilo que por pouco
chegámos a ser

deixa-me jogar palavras de sangue no papel
até que seja possível
sentir-te naufragar de novo em mim
deixa-me inundar a folha
com os segredos que guardámos no escuro
e nunca digas que as florestas são densas demais
para nos encontrarmos
porque de uma coisa me lembro melhor:
do que mais gostávamos
era de nos perdermos

MG 2010

quinta-feira, novembro 04, 2010

[Novamente o caderno do silêncio]

«a histeria assume principalmente aspectos morais;
assim tudo acaba em silêncio e poesia»

Fernando Pessoa



















MG 2010

quarta-feira, novembro 03, 2010


[Mais do livro do silêncio]

sábado, outubro 30, 2010

[ainda a propósito do poema anterior]

Clube de combate

Podes muito bem ser o próximo
a coompreender a excelência do abismo
a beleza do precipício
o vórtice desta nossa vidinha

(eu já o sinto como uma religião)

está na hora de deixares emergir
o anti-herói que há em ti

vives num circo de pessoas postiças,
numa ilusão de quereres ser
o que a televisão te confirma que um dia
virás a ser: we will all be
movie gods, millionaires and rock stars

a turbulência da queda
também tem a sua estética
o desejo de manchar o tapete
a magia de nos desviarmos do plano
de nos iniciarmos no combate connosco próprios
de sentirmos a verdade aos nossos pés

(eu já o sinto como uma religião)

um gajo só vive quando se desafia a si próprio
quando aprende a cair sobre os vários solos

sexta-feira, outubro 29, 2010

O POEMA ENSINA A CAIR

O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.

Luíza Neto Jorge

quinta-feira, outubro 28, 2010

[retirado do caderno do silêncio]

isto não é um borrão silencioso

quarta-feira, outubro 27, 2010

[retirado do Caderno do Silêncio]

O som do mar é funesto
e tem graça que hoje dei por mim
a sonhar com anzóis mortais

terça-feira, outubro 26, 2010












GREGORY ISAACS
15.07.1950 - 25.10.2010





domingo, outubro 24, 2010

O caderno do silêncio


MG 2010


sexta-feira, outubro 22, 2010

Só para que tenhas uma ideia

Só para que tenhas uma ideia
começo a escrever
às quatro da madrugada
o teu nome repetidamente o teu nome
enquanto espero que outras palavras
me expliquem o porquê
de pouco mais haver a dizer


domingo, outubro 17, 2010

i've been thinking

Look me in the eyes
and say its over baby
your lips taste of wild honey
and under the glass
madmen still ask for a poem
(but you are always the poem)
is it possible to loosen up
and wait for the past?
you know, i have to forget
i've been thinking about you
forever
- please get back in the car
and drive me
wherever you want
we'll fly away and pump
ideas of love