se te esqueces não volta mais
uma lâmpada fundida
abranda o desenho
do teu nome na areia
lenta
no fluxo desta insónia dunar
os cabelos longínquos
desgrenhados na ausência
mas porque é que desististe assim
sem mais
e agora
uma flor lilás içada para lá do mundo
ao encontro de uma outra coisa qualquer
distante
um lago no olhar
a memória dissimulada
e em cada gesto uma sensação
de perfume vazio
a casa cansada
os corpos no escuro
uma lâmpada fundida é o princípio de tudo
se te esqueces não volta mais
e se volta já vem diferente
MG
quarta-feira, dezembro 01, 2010
sexta-feira, novembro 12, 2010
segunda-feira, novembro 08, 2010
domingo, novembro 07, 2010
Os pinhais em chamas
Às vezes os silêncios
gritam-nos aos ouvidos;
o desconforto logo às primeiras
horas da manhã;
a reverberação adolescente;
os teus olhos reflectidos
no incêndio das águas de novembro
são seis e vinte e dois de dois mil e dez
mas parece que estes doze anos não foram suficientes
para me convencer que nunca mais
aquilo que quase fomos poderá voltar a ser
a lentidão das tardes em que me escorrias
pelo corpo
e a luz crepuscular
na volúpia indiferente dos teus olhos:
o lirismo dos dezanove
e porque esta noite sinto outra vez
a falta dos palácios que erguíamos
a olhar os pinhais em chamas
estou tentado a deixar que o poema
seja a memória daquilo que por pouco
chegámos a ser
deixa-me jogar palavras de sangue no papel
até que seja possível
sentir-te naufragar de novo em mim
deixa-me inundar a folha
com os segredos que guardámos no escuro
e nunca digas que as florestas são densas demais
para nos encontrarmos
porque de uma coisa me lembro melhor:
do que mais gostávamos
era de nos perdermos
MG 2010
Às vezes os silêncios
gritam-nos aos ouvidos;
o desconforto logo às primeiras
horas da manhã;
a reverberação adolescente;
os teus olhos reflectidos
no incêndio das águas de novembro
são seis e vinte e dois de dois mil e dez
mas parece que estes doze anos não foram suficientes
para me convencer que nunca mais
aquilo que quase fomos poderá voltar a ser
a lentidão das tardes em que me escorrias
pelo corpo
e a luz crepuscular
na volúpia indiferente dos teus olhos:
o lirismo dos dezanove
e porque esta noite sinto outra vez
a falta dos palácios que erguíamos
a olhar os pinhais em chamas
estou tentado a deixar que o poema
seja a memória daquilo que por pouco
chegámos a ser
deixa-me jogar palavras de sangue no papel
até que seja possível
sentir-te naufragar de novo em mim
deixa-me inundar a folha
com os segredos que guardámos no escuro
e nunca digas que as florestas são densas demais
para nos encontrarmos
porque de uma coisa me lembro melhor:
do que mais gostávamos
era de nos perdermos
MG 2010
quinta-feira, novembro 04, 2010
quarta-feira, novembro 03, 2010
sábado, outubro 30, 2010
[ainda a propósito do poema anterior]
Clube de combate
Podes muito bem ser o próximo
a coompreender a excelência do abismo
a beleza do precipício
o vórtice desta nossa vidinha
(eu já o sinto como uma religião)
está na hora de deixares emergir
o anti-herói que há em ti
vives num circo de pessoas postiças,
numa ilusão de quereres ser
o que a televisão te confirma que um dia
virás a ser: we will all be
movie gods, millionaires and rock stars
a turbulência da queda
também tem a sua estética
o desejo de manchar o tapete
a magia de nos desviarmos do plano
de nos iniciarmos no combate connosco próprios
de sentirmos a verdade aos nossos pés
(eu já o sinto como uma religião)
um gajo só vive quando se desafia a si próprio
quando aprende a cair sobre os vários solos
Clube de combate
Podes muito bem ser o próximo
a coompreender a excelência do abismo
a beleza do precipício
o vórtice desta nossa vidinha
(eu já o sinto como uma religião)
está na hora de deixares emergir
o anti-herói que há em ti
vives num circo de pessoas postiças,
numa ilusão de quereres ser
o que a televisão te confirma que um dia
virás a ser: we will all be
movie gods, millionaires and rock stars
a turbulência da queda
também tem a sua estética
o desejo de manchar o tapete
a magia de nos desviarmos do plano
de nos iniciarmos no combate connosco próprios
de sentirmos a verdade aos nossos pés
(eu já o sinto como uma religião)
um gajo só vive quando se desafia a si próprio
quando aprende a cair sobre os vários solos
sexta-feira, outubro 29, 2010
O POEMA ENSINA A CAIR
O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.
Luíza Neto Jorge
O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.
Luíza Neto Jorge
quarta-feira, outubro 27, 2010
domingo, outubro 24, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
domingo, outubro 17, 2010
i've been thinking
Look me in the eyes
and say its over baby
your lips taste of wild honey
and under the glass
madmen still ask for a poem
(but you are always the poem)
is it possible to loosen up
and wait for the past?
you know, i have to forget
i've been thinking about you
forever
- please get back in the car
and drive me
wherever you want
we'll fly away and pump
ideas of love
Look me in the eyes
and say its over baby
your lips taste of wild honey
and under the glass
madmen still ask for a poem
(but you are always the poem)
is it possible to loosen up
and wait for the past?
you know, i have to forget
i've been thinking about you
forever
- please get back in the car
and drive me
wherever you want
we'll fly away and pump
ideas of love
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