[Mais do livro do silêncio]
quarta-feira, novembro 03, 2010
sábado, outubro 30, 2010
[ainda a propósito do poema anterior]
Clube de combate
Podes muito bem ser o próximo
a coompreender a excelência do abismo
a beleza do precipício
o vórtice desta nossa vidinha
(eu já o sinto como uma religião)
está na hora de deixares emergir
o anti-herói que há em ti
vives num circo de pessoas postiças,
numa ilusão de quereres ser
o que a televisão te confirma que um dia
virás a ser: we will all be
movie gods, millionaires and rock stars
a turbulência da queda
também tem a sua estética
o desejo de manchar o tapete
a magia de nos desviarmos do plano
de nos iniciarmos no combate connosco próprios
de sentirmos a verdade aos nossos pés
(eu já o sinto como uma religião)
um gajo só vive quando se desafia a si próprio
quando aprende a cair sobre os vários solos
Clube de combate
Podes muito bem ser o próximo
a coompreender a excelência do abismo
a beleza do precipício
o vórtice desta nossa vidinha
(eu já o sinto como uma religião)
está na hora de deixares emergir
o anti-herói que há em ti
vives num circo de pessoas postiças,
numa ilusão de quereres ser
o que a televisão te confirma que um dia
virás a ser: we will all be
movie gods, millionaires and rock stars
a turbulência da queda
também tem a sua estética
o desejo de manchar o tapete
a magia de nos desviarmos do plano
de nos iniciarmos no combate connosco próprios
de sentirmos a verdade aos nossos pés
(eu já o sinto como uma religião)
um gajo só vive quando se desafia a si próprio
quando aprende a cair sobre os vários solos
sexta-feira, outubro 29, 2010
O POEMA ENSINA A CAIR
O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.
Luíza Neto Jorge
O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.
Luíza Neto Jorge
quarta-feira, outubro 27, 2010
domingo, outubro 24, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
domingo, outubro 17, 2010
i've been thinking
Look me in the eyes
and say its over baby
your lips taste of wild honey
and under the glass
madmen still ask for a poem
(but you are always the poem)
is it possible to loosen up
and wait for the past?
you know, i have to forget
i've been thinking about you
forever
- please get back in the car
and drive me
wherever you want
we'll fly away and pump
ideas of love
Look me in the eyes
and say its over baby
your lips taste of wild honey
and under the glass
madmen still ask for a poem
(but you are always the poem)
is it possible to loosen up
and wait for the past?
you know, i have to forget
i've been thinking about you
forever
- please get back in the car
and drive me
wherever you want
we'll fly away and pump
ideas of love
terça-feira, outubro 12, 2010
afinal não é assim tão mau
afinal não é assim tão mau:
ainda que te tenham posto na rua
após tantos anos de precariedade
ficou-te na memória uma causa maior
que ninguém registou, a solidariedade e
o empenho na luta por um portugal melhor
ergue agora a cabeça José Miguel
que a economia quer-te
de cabeça erguida, a contribuição
sobrepõe-se às tuas necessidades
e sofre, que a economia precisa que sofras
a bem da nação, a bem dos executores
que lá do alto da sua arrogância
precisam do teu pão que agora é tempo disso,
aforra na comida que dela não necessitas,
é hora de contenção, e deixa ver
o que os próximos relatórios têm para dizer
aguarda que em breve o sr. engenheiro
dará novas instruções
afinal não é assim tão mau:
ainda que te tenham posto na rua
após tantos anos de precariedade
ficou-te na memória uma causa maior
que ninguém registou, a solidariedade e
o empenho na luta por um portugal melhor
ergue agora a cabeça José Miguel
que a economia quer-te
de cabeça erguida, a contribuição
sobrepõe-se às tuas necessidades
e sofre, que a economia precisa que sofras
a bem da nação, a bem dos executores
que lá do alto da sua arrogância
precisam do teu pão que agora é tempo disso,
aforra na comida que dela não necessitas,
é hora de contenção, e deixa ver
o que os próximos relatórios têm para dizer
aguarda que em breve o sr. engenheiro
dará novas instruções
segunda-feira, outubro 11, 2010
quarta-feira, outubro 06, 2010
As cidades ancestrais
Uma vez
um tipo disse-me
que não teria de preocupar-me
se de repente acordasse
de um sono profundo
e nada tivesse para contar.
as folhas em branco dos dias
de pouco servem
para te convenceres que
a tua verdade
é só mais uma por entre
o trânsito compacto,
que te deixaste dormir ao volante
e só acordaste quando embateste em ti.
enche um copo de vinho
e canta a felicidade
de conheceres agora a verdade.
escusas de te abrigar da chuva:
de tanto olhares as fissuras, descobres
o teu nome escrito a branco na cal parda
uma boca cheia de cuspo
berra o teu sonho que alguém te há-de ouvir:
o mar que teima em chegar
as cidades ancestrais, e a ilusão,
nada mais puro que a ilusão
Uma vez
um tipo disse-me
que não teria de preocupar-me
se de repente acordasse
de um sono profundo
e nada tivesse para contar.
as folhas em branco dos dias
de pouco servem
para te convenceres que
a tua verdade
é só mais uma por entre
o trânsito compacto,
que te deixaste dormir ao volante
e só acordaste quando embateste em ti.
enche um copo de vinho
e canta a felicidade
de conheceres agora a verdade.
escusas de te abrigar da chuva:
de tanto olhares as fissuras, descobres
o teu nome escrito a branco na cal parda
uma boca cheia de cuspo
berra o teu sonho que alguém te há-de ouvir:
o mar que teima em chegar
as cidades ancestrais, e a ilusão,
nada mais puro que a ilusão
segunda-feira, agosto 30, 2010
A metamorfose
É quase como se desconhecessem
o início do mundo,
os primeiros passos,
o pensamento inaugural.
Como se sentissem
que a idade não existe verdadeiramente
e que todos nós nascemos ao acaso
mas subitamente, o clarão:
a ilusão acaba sempre por reclamar o silêncio
da palavra primeira
a fogueira que rasga a noite escura,
que de repente altera os sonhos dos homens
que foram meninos mas que se esqueceram
que meninos foram.
Se só agora se aperceberam
que numa outra coisa se haviam transformado
isso foi só-apenas o rigor dilacerante,
a verdade da vida que veio ao de cima
É quase como se desconhecessem
o início do mundo,
os primeiros passos,
o pensamento inaugural.
Como se sentissem
que a idade não existe verdadeiramente
e que todos nós nascemos ao acaso
mas subitamente, o clarão:
a ilusão acaba sempre por reclamar o silêncio
da palavra primeira
a fogueira que rasga a noite escura,
que de repente altera os sonhos dos homens
que foram meninos mas que se esqueceram
que meninos foram.
Se só agora se aperceberam
que numa outra coisa se haviam transformado
isso foi só-apenas o rigor dilacerante,
a verdade da vida que veio ao de cima
segunda-feira, agosto 23, 2010
A angústia das segundas
Segundas-feiras levianas,
(sempre a angústia das segundas-feiras)
na continuidade daquele ardor dominical.
Faltam apenas cinco dias para o regresso
aos motins ocasionais de desfecho inconsequente.
Mas, senhores doutores, digníssimos colegas:
as vossas fisionomias patronais provocam-me
um abrasamento incomensurável,
cada vez se agita mais o meu resumido intelecto.
Não fosse a poesia e a verdade
é que seria incapaz de cumprir em exclusivo,
solenemente e de mão ao peito
bem ao jeito seiscentista
as tarefas que tenho esta semana para cumprir.
Entretanto, permitam-me que vos envie
os meus melhores cumprimentos
Segundas-feiras levianas,
(sempre a angústia das segundas-feiras)
na continuidade daquele ardor dominical.
Faltam apenas cinco dias para o regresso
aos motins ocasionais de desfecho inconsequente.
Mas, senhores doutores, digníssimos colegas:
as vossas fisionomias patronais provocam-me
um abrasamento incomensurável,
cada vez se agita mais o meu resumido intelecto.
Não fosse a poesia e a verdade
é que seria incapaz de cumprir em exclusivo,
solenemente e de mão ao peito
bem ao jeito seiscentista
as tarefas que tenho esta semana para cumprir.
Entretanto, permitam-me que vos envie
os meus melhores cumprimentos
terça-feira, agosto 03, 2010
A ilha da praia (4)
A verdade enfim desabrigada
nas mãos sombrias que produzem o despacho
como quem dispara um fuzil.
Mas não importa que as trincheiras são as dunas,
a vida renasce sempre indiferente à tormenta
e as pescas agora dão à costa em fardos
em noites de luar oriental
É esta a ilha das tribos celestes
como se desde sempre aqui tivessem vivido.
Aqui a realidade é sem dúvida dinâmica:
ainda que se mudem as redes de sítio de vez
só porque se diz que aqui já não há peixe
as amêijoas nunca morrerão sozinhas ao relento
A verdade enfim desabrigada
nas mãos sombrias que produzem o despacho
como quem dispara um fuzil.
Mas não importa que as trincheiras são as dunas,
a vida renasce sempre indiferente à tormenta
e as pescas agora dão à costa em fardos
em noites de luar oriental
É esta a ilha das tribos celestes
como se desde sempre aqui tivessem vivido.
Aqui a realidade é sem dúvida dinâmica:
ainda que se mudem as redes de sítio de vez
só porque se diz que aqui já não há peixe
as amêijoas nunca morrerão sozinhas ao relento
segunda-feira, agosto 02, 2010
A ilha da praia (3)
Naqueles dias
a maré jogava-nos contra o concreto
empurrando-nos para um poema fácil
os aviões nocturnos pareciam baleias celestes
e o silêncio deixava-nos à deriva.
Nas garrafas de sagres que davam à costa
nunca descobri uma mensagem de alguém que se perdera
mas descobri-me a mim
e nunca era tarde, havia sempre tempo para ver
quem tombava primeiro
hoje já não há lodo como havia
e cada vez é mais difícil estender a toalha
Naqueles dias
a maré jogava-nos contra o concreto
empurrando-nos para um poema fácil
os aviões nocturnos pareciam baleias celestes
e o silêncio deixava-nos à deriva.
Nas garrafas de sagres que davam à costa
nunca descobri uma mensagem de alguém que se perdera
mas descobri-me a mim
e nunca era tarde, havia sempre tempo para ver
quem tombava primeiro
hoje já não há lodo como havia
e cada vez é mais difícil estender a toalha
domingo, agosto 01, 2010
quinta-feira, julho 29, 2010
Sem perceber porquê, depois de muito tempo sem aceder à minha conta, consegui hoje - finalmente - permissão para publicar. Obrigado ao sistema. Só por isso, decidi iniciar um novo conjunto de textos (que por agora se chamará "A ilha da praia"). Aqui vai o primeiro.
-----------------
A ilha da praia (1)
Recordas-te da casa do senhor presidente?
já houve um pescador que aí fez um filho
numa barraca que se desfez
para que o senhor presidente aí pudesse estacionar
foi atrás dessa casa que me enamorei
a sério pela primeira vez
nas arestas fundamentais desse betão bem português
a calma nocturna das águas da ria
num reflexo de cortar gargantas
e a bátega salgada ainda lá estão
o meu amor é que já se foi
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A ilha da praia (1)
Recordas-te da casa do senhor presidente?
já houve um pescador que aí fez um filho
numa barraca que se desfez
para que o senhor presidente aí pudesse estacionar
foi atrás dessa casa que me enamorei
a sério pela primeira vez
nas arestas fundamentais desse betão bem português
a calma nocturna das águas da ria
num reflexo de cortar gargantas
e a bátega salgada ainda lá estão
o meu amor é que já se foi
quinta-feira, junho 24, 2010
sexta-feira, junho 11, 2010
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