domingo, janeiro 20, 2008
Da complexidade
O entendimento escarnece de nós constantemente
sempre que a vida ganha um sentido diferente
e a nomeação da matéria volátil incendeia-se
junto com a efemeridade do seu novo significado
As palavras
tudo o que elas dizem é insuficiente
para descrever as CORES os SONS o SILÊNCIO
Escrevemos a vida de uma maneira e logo depois
obrigamo-nos a queimar o papel
na impossibilidade de um sentir absoluto
As mãos jamais agarrarão a complexidade
resplandeceremos sempre com o insondável
ainda que uma ingénua tendência pretenda sempre
agarrar o todo ainda que a certeza da intangibilidade
oriente essa busca incessante pelo inexprimível
Miguel Godinho
O entendimento escarnece de nós constantemente
sempre que a vida ganha um sentido diferente
e a nomeação da matéria volátil incendeia-se
junto com a efemeridade do seu novo significado
As palavras
tudo o que elas dizem é insuficiente
para descrever as CORES os SONS o SILÊNCIO
Escrevemos a vida de uma maneira e logo depois
obrigamo-nos a queimar o papel
na impossibilidade de um sentir absoluto
As mãos jamais agarrarão a complexidade
resplandeceremos sempre com o insondável
ainda que uma ingénua tendência pretenda sempre
agarrar o todo ainda que a certeza da intangibilidade
oriente essa busca incessante pelo inexprimível
Miguel Godinho
quarta-feira, janeiro 16, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
sábado, janeiro 12, 2008
A corda
Nada nos prende
para além da memória
ao virar da página
a adolescência
o tempo (es)corre como numa enxurrada
e nós sempre
agarrados à corda das reminiscências
com medo de ir na corrente
Miguel Godinho
[escrito a propósito da questão dos "muros" das idades - tertúlia de Cabanas - quem lá esteve entenderá e quem não esteve basta reflectir minimamente sobre a vida]
Nada nos prende
para além da memória
ao virar da página
a adolescência
o tempo (es)corre como numa enxurrada
e nós sempre
agarrados à corda das reminiscências
com medo de ir na corrente
Miguel Godinho
[escrito a propósito da questão dos "muros" das idades - tertúlia de Cabanas - quem lá esteve entenderá e quem não esteve basta reflectir minimamente sobre a vida]
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Ainda a ponte da Sé
Naquela ponte
escrevíamos as tardes
conduzindo os barcos
que lavravam a ria
ao cais da memória
ao longe uma casa isolada
no verde das águas
devolvia a brancura da cal
e o clamor da luz
recortava sempre
o silêncio das sombras
em frente da casa
o estreito
desenhado nos canais
diluindo no mar
o céu e a terra
Miguel Godinho
Naquela ponte
escrevíamos as tardes
conduzindo os barcos
que lavravam a ria
ao cais da memória
ao longe uma casa isolada
no verde das águas
devolvia a brancura da cal
e o clamor da luz
recortava sempre
o silêncio das sombras
em frente da casa
o estreito
desenhado nos canais
diluindo no mar
o céu e a terra
Miguel Godinho
terça-feira, janeiro 08, 2008
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Da importância das raízes
Fumarias agora com prazer
o pensativo cigarro da memória
sentado na cadeira imóvel
da casa dos teus avós (esses
que nunca chegaste a conhecer)
se alguém te tivesse ensinado o caminho
para lá se chegar
Assim, em vez de passares a vida a sonhar
com uma bela conta bancária
talvez pedisses apenas
a essa entidade suprema que
nos protege a todos
do perigo da insanidade
para não te esqueceres dos seus nomes
dessa forma
talvez deixassem de te doer tanto os neurónios
sempre que tentas compreender
o sentido da vida
Miguel Godinho
Fumarias agora com prazer
o pensativo cigarro da memória
sentado na cadeira imóvel
da casa dos teus avós (esses
que nunca chegaste a conhecer)
se alguém te tivesse ensinado o caminho
para lá se chegar
Assim, em vez de passares a vida a sonhar
com uma bela conta bancária
talvez pedisses apenas
a essa entidade suprema que
nos protege a todos
do perigo da insanidade
para não te esqueceres dos seus nomes
dessa forma
talvez deixassem de te doer tanto os neurónios
sempre que tentas compreender
o sentido da vida
Miguel Godinho
quinta-feira, janeiro 03, 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
A tormenta
Ainda nem tinha começado
e já querias que acabasse
os horizontes de fogo
as promessas de conquista do mundo
e as viagens a sítio nenhum
todas essas horas em que
te arruinavas em pensamentos
eram muitas horas
camuflavas os compassos diários
e as tarefas por cumprir
a vida
o bolor surgia-te nas goelas
e aqueles assombros nocturnos…
ainda nem tinha começado
e já querias que acabasse
Miguel Godinho
Ainda nem tinha começado
e já querias que acabasse
os horizontes de fogo
as promessas de conquista do mundo
e as viagens a sítio nenhum
todas essas horas em que
te arruinavas em pensamentos
eram muitas horas
camuflavas os compassos diários
e as tarefas por cumprir
a vida
o bolor surgia-te nas goelas
e aqueles assombros nocturnos…
ainda nem tinha começado
e já querias que acabasse
Miguel Godinho
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Do que se diz
Eles queriam apenas poder dizer “dissestes”
e “masturbas o sexo”
sem que ninguém lhes chateasse os cornos
com teorias da literatura
e conjecturas gramaticais
Cá para mim
(Que nenhum purista leia isto)
a linguagem (ou a língua, whatever)
é como um garfo
serve para comer
e encher a barriga
foda-se
Miguel Godinho
Eles queriam apenas poder dizer “dissestes”
e “masturbas o sexo”
sem que ninguém lhes chateasse os cornos
com teorias da literatura
e conjecturas gramaticais
Cá para mim
(Que nenhum purista leia isto)
a linguagem (ou a língua, whatever)
é como um garfo
serve para comer
e encher a barriga
foda-se
Miguel Godinho
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Da claridade
Sentiste a manhã em tons de cinza
antes dos olhos se abrirem
e tiveste receio que o acordar
fosse demasiado violento.
Neste último sonho da noite uma inscrição:
“bem vindo ao cantar das sombras,
no silêncio dos dias encontrarás as palavras
que te dirão quem és”
Mais uma visão da casa em ruína
e a consciência da plenitude
na escuridão cerrada dos sonhos
– uma calma em que te descobres
constantemente perdido, uma busca incessante
pelo nome das coisas, pelo teu nome.
A vida pareceu-te de repente uma estrada estreita
e a manhã que te desligava da poesia nocturna, uma ponte.
Talvez as respostas viessem só com a claridade
talvez as palavras que te diriam quem és
não existissem no mundo dos sonhos
talvez fossem apenas horas de acordar
para mais um dia
Miguel Godinho
Sentiste a manhã em tons de cinza
antes dos olhos se abrirem
e tiveste receio que o acordar
fosse demasiado violento.
Neste último sonho da noite uma inscrição:
“bem vindo ao cantar das sombras,
no silêncio dos dias encontrarás as palavras
que te dirão quem és”
Mais uma visão da casa em ruína
e a consciência da plenitude
na escuridão cerrada dos sonhos
– uma calma em que te descobres
constantemente perdido, uma busca incessante
pelo nome das coisas, pelo teu nome.
A vida pareceu-te de repente uma estrada estreita
e a manhã que te desligava da poesia nocturna, uma ponte.
Talvez as respostas viessem só com a claridade
talvez as palavras que te diriam quem és
não existissem no mundo dos sonhos
talvez fossem apenas horas de acordar
para mais um dia
Miguel Godinho
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Ainda os dezanove
Numa química transitória
esse teu olhar antigo na minha direcção
como se me sussurrasses despindo-me
com palavras surdas ao ouvido
trazendo de volta a arte da transgressão
dos dezanove.
Reavivas-me a nostalgia da tarde em que me vi
lá longe e logo depois tão perto
dentro de ti a olhar-te as entranhas,
dentro de mim e da minha inocência
não valias nada e ainda assim te recordo
em tons violeta numa mancha que o tempo insiste
em guardar numa das gavetas da memória
Miguel Godinho
Numa química transitória
esse teu olhar antigo na minha direcção
como se me sussurrasses despindo-me
com palavras surdas ao ouvido
trazendo de volta a arte da transgressão
dos dezanove.
Reavivas-me a nostalgia da tarde em que me vi
lá longe e logo depois tão perto
dentro de ti a olhar-te as entranhas,
dentro de mim e da minha inocência
não valias nada e ainda assim te recordo
em tons violeta numa mancha que o tempo insiste
em guardar numa das gavetas da memória
Miguel Godinho
quarta-feira, dezembro 19, 2007
No seguimento da proposta feita pelo Pedro Afonso (na qual me pedia para nomear os meus 6 filmes de eleição), respondida no primeiro post de ontem, esqueci-me de nomear um 7º que de maneira nenhuma poderia ficar de fora. Até porque se falamos da 7ª Arte, talvez não seja má ideia escolher 7 filmes (?). Assim sendo, e utilizando a mesma justificação que já foi referida nesse mesmo post, o meu 7º filme de eleição é:
Trainspotting - de Danny Boyle
Trainspotting - de Danny Boyle
terça-feira, dezembro 18, 2007
O cenário
Desbravámos atónitos os dezanove
de cigarro na mão
a olhar a ria de frente e a sua quietude
numa mansidão incendiada por horizontes de fogo.
Um barco que passava rasgava sempre
um percurso perpétuo
nas aquaestradas dos sonhos vespertinos
enquanto a vida se sucedia lá fora inquieta
e nós aqui alheios a tudo menos ao momento
talvez se colhendo nesses tempos a constância
ainda agora pudéssemos lá regressar
da mesma forma, com dezanove de novo
e ver as marés
Miguel Godinho
Desbravámos atónitos os dezanove
de cigarro na mão
a olhar a ria de frente e a sua quietude
numa mansidão incendiada por horizontes de fogo.
Um barco que passava rasgava sempre
um percurso perpétuo
nas aquaestradas dos sonhos vespertinos
enquanto a vida se sucedia lá fora inquieta
e nós aqui alheios a tudo menos ao momento
talvez se colhendo nesses tempos a constância
ainda agora pudéssemos lá regressar
da mesma forma, com dezanove de novo
e ver as marés
Miguel Godinho
Aceitando o desafio do Pedro Afonso, aqui seguem então os meus 6 filmes de eleição. Devo dizer que os referidos encontram-se a par de muitos outros. No entanto, serão estes talvez aqueles que mais fortemente marcaram a minha personalidade. Quem me conhece e já viu os filmes saberá dizer porquê. Nesse sentido, foram parte integrante da minha aprendizagem da vida. Fazem por isso parte da minha maneira de ver hoje as coisas. Lições, portanto. É isso que retiro dos filmes.
Kids – de Larry Clark
Lost in translation – de Sofia Coppola
A Clockwork Orange – de Stanley Kubrik
Pulp Fiction – de Quentin Tarantino
La Haine – de Mathieu Kassovitz
Crash – de David Cronenberg
Kids – de Larry Clark
Lost in translation – de Sofia Coppola
A Clockwork Orange – de Stanley Kubrik
Pulp Fiction – de Quentin Tarantino
La Haine – de Mathieu Kassovitz
Crash – de David Cronenberg
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Das ausências
Queria apenas que me tivesses deixado
explicar-te a carência
para que agora não necessitasse
desta conversa muda
ou da percepção da incapacidade em abordar ainda
e sempre este assunto
há palavras que custam tanto a dizer e
há assuntos que são tão difíceis de recordar
como este que há tanto tempo tento discutir contigo pai
logo logo serei capaz
ou talvez nem valha a pena
talvez seja melhor levares contigo o meu silêncio eterno
afinal foi essa a tua maior lição
com os teus silêncios me ensinaste
a emudecer
Miguel Godinho
Queria apenas que me tivesses deixado
explicar-te a carência
para que agora não necessitasse
desta conversa muda
ou da percepção da incapacidade em abordar ainda
e sempre este assunto
há palavras que custam tanto a dizer e
há assuntos que são tão difíceis de recordar
como este que há tanto tempo tento discutir contigo pai
logo logo serei capaz
ou talvez nem valha a pena
talvez seja melhor levares contigo o meu silêncio eterno
afinal foi essa a tua maior lição
com os teus silêncios me ensinaste
a emudecer
Miguel Godinho
sexta-feira, dezembro 14, 2007
quarta-feira, dezembro 12, 2007
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