Aceitando o desafio do Pedro Afonso, aqui seguem então os meus 6 filmes de eleição. Devo dizer que os referidos encontram-se a par de muitos outros. No entanto, serão estes talvez aqueles que mais fortemente marcaram a minha personalidade. Quem me conhece e já viu os filmes saberá dizer porquê. Nesse sentido, foram parte integrante da minha aprendizagem da vida. Fazem por isso parte da minha maneira de ver hoje as coisas. Lições, portanto. É isso que retiro dos filmes.
Kids – de Larry Clark
Lost in translation – de Sofia Coppola
A Clockwork Orange – de Stanley Kubrik
Pulp Fiction – de Quentin Tarantino
La Haine – de Mathieu Kassovitz
Crash – de David Cronenberg
terça-feira, dezembro 18, 2007
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Das ausências
Queria apenas que me tivesses deixado
explicar-te a carência
para que agora não necessitasse
desta conversa muda
ou da percepção da incapacidade em abordar ainda
e sempre este assunto
há palavras que custam tanto a dizer e
há assuntos que são tão difíceis de recordar
como este que há tanto tempo tento discutir contigo pai
logo logo serei capaz
ou talvez nem valha a pena
talvez seja melhor levares contigo o meu silêncio eterno
afinal foi essa a tua maior lição
com os teus silêncios me ensinaste
a emudecer
Miguel Godinho
Queria apenas que me tivesses deixado
explicar-te a carência
para que agora não necessitasse
desta conversa muda
ou da percepção da incapacidade em abordar ainda
e sempre este assunto
há palavras que custam tanto a dizer e
há assuntos que são tão difíceis de recordar
como este que há tanto tempo tento discutir contigo pai
logo logo serei capaz
ou talvez nem valha a pena
talvez seja melhor levares contigo o meu silêncio eterno
afinal foi essa a tua maior lição
com os teus silêncios me ensinaste
a emudecer
Miguel Godinho
sexta-feira, dezembro 14, 2007
quarta-feira, dezembro 12, 2007
O nosso nome
O nosso nome
por debaixo do tronco
e da raiz secreta
ele há sempre alguém
que também se apaga
junto com a árvore
nesse momento
quando o som do derrube
introduz o silêncio perpétuo
não há direito a palavras
a eternidade encarrega-se
de as escrever numa outra língua
inteligível para nós
que por cá vamos ficando à espera
da nossa hora
Miguel Godinho
O nosso nome
por debaixo do tronco
e da raiz secreta
ele há sempre alguém
que também se apaga
junto com a árvore
nesse momento
quando o som do derrube
introduz o silêncio perpétuo
não há direito a palavras
a eternidade encarrega-se
de as escrever numa outra língua
inteligível para nós
que por cá vamos ficando à espera
da nossa hora
Miguel Godinho
terça-feira, dezembro 11, 2007
Do alto dos oitentas
E então subitamente
enquanto rachava lenha
do alto das suas 82 primaveras
a imagem num relance devolvida pelo reflexo
da janela da velha carrinha:
a inocência adolescente
essa que não tarda custaria a lembrar
apertada pelo espartilho do tempo
como se numa plena visão de consciência
o tronco lhe pudesse saltar dos pés
e a serra acidentalmente fender-lhe a memória
separando-o de vez desses vestígios
que já começavam a esgotar-se
A infância é breve, dizia-me
enquanto pegava de novo no cepo
e se absorvia na tarefa que
há praticamente 70 anos cumpre
todos os Invernos.
Miguel Godinho
[alterado por engano na versão]
E então subitamente
enquanto rachava lenha
do alto das suas 82 primaveras
a imagem num relance devolvida pelo reflexo
da janela da velha carrinha:
a inocência adolescente
essa que não tarda custaria a lembrar
apertada pelo espartilho do tempo
como se numa plena visão de consciência
o tronco lhe pudesse saltar dos pés
e a serra acidentalmente fender-lhe a memória
separando-o de vez desses vestígios
que já começavam a esgotar-se
A infância é breve, dizia-me
enquanto pegava de novo no cepo
e se absorvia na tarefa que
há praticamente 70 anos cumpre
todos os Invernos.
Miguel Godinho
[alterado por engano na versão]
segunda-feira, dezembro 10, 2007
domingo, dezembro 09, 2007
O fogo
Esperarei sempre por ti no fogo. E lembrar-me-ei sempre da dor que nos marcava. Sabia bem que o teu nome era fácil de pronunciar e que muitas eram as rosas no meu colo.
- Por onde andas hoje à noite?
Insisto em vociferar uma vez mais o teu nome na fria noite que se ergue. Se a chuva não cobrisse a vidraça desta forma os meus olhos arderiam nas chamas desta memória.
Miguel Godinho
Esperarei sempre por ti no fogo. E lembrar-me-ei sempre da dor que nos marcava. Sabia bem que o teu nome era fácil de pronunciar e que muitas eram as rosas no meu colo.
- Por onde andas hoje à noite?
Insisto em vociferar uma vez mais o teu nome na fria noite que se ergue. Se a chuva não cobrisse a vidraça desta forma os meus olhos arderiam nas chamas desta memória.
Miguel Godinho
sexta-feira, dezembro 07, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
A distância
Só os fortes sobrevivem à melancolia
que lenta se instala, à retaliação do tempo
que passa sem se ver
eu não sou um desses
penetra-me novamente a alma
com a chama dos teus olhos e
revela-me a falha que nos desagregou
para que não tenha de curvar-me
diante dos dias que passaram
sem que pudesse olhar-te e rever-me
na demência das tuas [das nossas] ideias
Miguel Godinho
Só os fortes sobrevivem à melancolia
que lenta se instala, à retaliação do tempo
que passa sem se ver
eu não sou um desses
penetra-me novamente a alma
com a chama dos teus olhos e
revela-me a falha que nos desagregou
para que não tenha de curvar-me
diante dos dias que passaram
sem que pudesse olhar-te e rever-me
na demência das tuas [das nossas] ideias
Miguel Godinho
segunda-feira, novembro 26, 2007
sábado, novembro 24, 2007
Apagar a memória
Memória caos disforme
ruínas de histórias mortas
como pedradas no passado
para poderes apagá-lo
olhas em volta e
descobres-te contrariado
nesses momentos pretéritos
não são mais que conjecturas, dizes
não voltam a ser da mesma forma
não voltas a pertencer a esse caos
quem foste naquela reminiscência
com que direito te julgas agora
no futuro serás superior
memória caos disforme
retiras-te como se fosses senhor
de um tempo que querias ser só teu
para poderes apagá-lo
Miguel Godinho
Memória caos disforme
ruínas de histórias mortas
como pedradas no passado
para poderes apagá-lo
olhas em volta e
descobres-te contrariado
nesses momentos pretéritos
não são mais que conjecturas, dizes
não voltam a ser da mesma forma
não voltas a pertencer a esse caos
quem foste naquela reminiscência
com que direito te julgas agora
no futuro serás superior
memória caos disforme
retiras-te como se fosses senhor
de um tempo que querias ser só teu
para poderes apagá-lo
Miguel Godinho
sexta-feira, novembro 23, 2007
quinta-feira, novembro 22, 2007
terça-feira, novembro 20, 2007
segunda-feira, novembro 19, 2007
Os sons minimais
[ou o justo tributo aos ruídos e às vivências contemporâneos]
Os sons espremidos em sinopses nocturnais
qual visões acústicas espectrais, reverberadas na toxicidade
Densas sensações químicas na propagação do negrume
e rápidas aparições voltaicas que te penetram o intelecto,
espargidas em raios eléctricos
a curiosidade
faz-te navegar na imensidão de estímulos que lentos se instalam e
então declaras com um fechar de olhos o contentamento descoberto
arriscando extrair o sumo da iniciativa que te inteirou
da existência de cristais que revelam essas realidades ocultas
Miguel Godinho
[ou o justo tributo aos ruídos e às vivências contemporâneos]
Os sons espremidos em sinopses nocturnais
qual visões acústicas espectrais, reverberadas na toxicidade
Densas sensações químicas na propagação do negrume
e rápidas aparições voltaicas que te penetram o intelecto,
espargidas em raios eléctricos
a curiosidade
faz-te navegar na imensidão de estímulos que lentos se instalam e
então declaras com um fechar de olhos o contentamento descoberto
arriscando extrair o sumo da iniciativa que te inteirou
da existência de cristais que revelam essas realidades ocultas
Miguel Godinho
quarta-feira, novembro 14, 2007
Os textos
Eu não sou poeta
eu não quero ser poeta
escrevo apenas textos
textos que retratam
a poesia das coisas
a poesia não está nos textos
está no olhar e nas coisas
nas mãos existe o olhar
no papel existem textos
textos que descobrem a poesia
textos que destapam a poesia
a poesia está no olhar e nas coisas
a poesia não está nos textos
eu não sou poeta
eu escrevo textos
Miguel Godinho
Eu não sou poeta
eu não quero ser poeta
escrevo apenas textos
textos que retratam
a poesia das coisas
a poesia não está nos textos
está no olhar e nas coisas
nas mãos existe o olhar
no papel existem textos
textos que descobrem a poesia
textos que destapam a poesia
a poesia está no olhar e nas coisas
a poesia não está nos textos
eu não sou poeta
eu escrevo textos
Miguel Godinho
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