Jazzy...
quarta-feira, abril 18, 2007
segunda-feira, abril 16, 2007
A ponte da Sé
Nus nos nossos sítios
era assim que nos sentíamos
sentados serenos sem necessidade
de roupagens nem regras
Rente à linha a ponte da Sé
o cheiro a óleo e a maresia
os barcos e
a constância despreocupada
daqueles crepúsculos tão extensos
agora reparo
a noite já não cai na ria assim
é como se tivéssemos vestido as roupas
outrora desnecessárias
Miguel Godinho
Nus nos nossos sítios
era assim que nos sentíamos
sentados serenos sem necessidade
de roupagens nem regras
Rente à linha a ponte da Sé
o cheiro a óleo e a maresia
os barcos e
a constância despreocupada
daqueles crepúsculos tão extensos
agora reparo
a noite já não cai na ria assim
é como se tivéssemos vestido as roupas
outrora desnecessárias
Miguel Godinho
sábado, abril 14, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
Os soldados anónimos da vida
Os soldados anónimos da vida
esses que deambulam por entre
um existir incógnito
são a imaculada memória do nada
numa inocente batalha pelo espaço.
Por onde vagueiam sabemos
- esses gélidos sítios de ausência
na bruma da noite invernal
Ainda assim se preocupam
como se alguém se fosse lembrar deles
como se valesse a pena estarem vivos
e merecessem permanecer aqui
junto de quem nunca os chorará
junto de quem os finge não ver
Miguel Godinho
Os soldados anónimos da vida
esses que deambulam por entre
um existir incógnito
são a imaculada memória do nada
numa inocente batalha pelo espaço.
Por onde vagueiam sabemos
- esses gélidos sítios de ausência
na bruma da noite invernal
Ainda assim se preocupam
como se alguém se fosse lembrar deles
como se valesse a pena estarem vivos
e merecessem permanecer aqui
junto de quem nunca os chorará
junto de quem os finge não ver
Miguel Godinho
quinta-feira, abril 12, 2007
Do passado o presente se apropria
Do passado o presente se apropria
reivindicando a prescrição do antigo
- esse passado enfarpelado de hoje
coberto com uma jaqueta moderna
uma fatiota ligeiramente recomposta
a camisa por dentro da calça
e um corte de cabelo mais aprumado
num corpo que é sempre o mesmo
para mim o progresso é um embuste
uma imitação, um decalque, um dejá vu
uma visão renovada do que sempre foi
uma passagem pela constância
por onde o tempo vai circulando
Miguel Godinho
Do passado o presente se apropria
reivindicando a prescrição do antigo
- esse passado enfarpelado de hoje
coberto com uma jaqueta moderna
uma fatiota ligeiramente recomposta
a camisa por dentro da calça
e um corte de cabelo mais aprumado
num corpo que é sempre o mesmo
para mim o progresso é um embuste
uma imitação, um decalque, um dejá vu
uma visão renovada do que sempre foi
uma passagem pela constância
por onde o tempo vai circulando
Miguel Godinho
quarta-feira, abril 11, 2007
O passeio das incertezas
Tropeçar nas esquinas do pensamento
e lavar a cara na chuva reminiscente
a face escondida num espectro de luz e
o cheiro na sombra que me embala
escorrego no passeio das incertezas
e embato nos pilares que me sustentam
- os trajectos das ideias são perigosos
as cartografias dos terrenos não existem
e os caminhos conduzem-me sempre ao mesmo destino
uma memória tua
Miguel Godinho
Tropeçar nas esquinas do pensamento
e lavar a cara na chuva reminiscente
a face escondida num espectro de luz e
o cheiro na sombra que me embala
escorrego no passeio das incertezas
e embato nos pilares que me sustentam
- os trajectos das ideias são perigosos
as cartografias dos terrenos não existem
e os caminhos conduzem-me sempre ao mesmo destino
uma memória tua
Miguel Godinho
segunda-feira, abril 09, 2007
As ideias
As ideias
- é aí que se sustentam os entendimentos
uma sucessão de colisões voltaicas
os olhares
são vórtices de absorções
é como nas saunas –
as transpirações desses sentires
nas experiências que me ensopam
voltando às ideias
são sentimentos que se confrontam
em instantes que circulam
à velocidade das naves espaciais
pedaços de energia que voam zum zum
para que [num nanosegundo]
me sinta idiota
quando me penso
Miguel Godinho
As ideias
- é aí que se sustentam os entendimentos
uma sucessão de colisões voltaicas
os olhares
são vórtices de absorções
é como nas saunas –
as transpirações desses sentires
nas experiências que me ensopam
voltando às ideias
são sentimentos que se confrontam
em instantes que circulam
à velocidade das naves espaciais
pedaços de energia que voam zum zum
para que [num nanosegundo]
me sinta idiota
quando me penso
Miguel Godinho
domingo, abril 08, 2007
quinta-feira, abril 05, 2007
terça-feira, abril 03, 2007
quinta-feira, março 29, 2007
terça-feira, março 27, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
Os pedintes
Nas mãos do incerto
somos pedintes
como que
palavras enviadas
às páginas virgens
no branco imaculado
dos terrenos fecundos
somos pedintes
consumidos na tempestade
das idades incertas
à guarda do vento e da chuva
numa rebelião de glórias fortuitas
à espera das horas
que os minutos devolvem
às garras do tempo
Miguel Godinho
Nas mãos do incerto
somos pedintes
como que
palavras enviadas
às páginas virgens
no branco imaculado
dos terrenos fecundos
somos pedintes
consumidos na tempestade
das idades incertas
à guarda do vento e da chuva
numa rebelião de glórias fortuitas
à espera das horas
que os minutos devolvem
às garras do tempo
Miguel Godinho
domingo, março 25, 2007
Os tempos indefinidos
Alumiaste a ruela
dos tempos indefinidos
mas agora
assim sem mais
restam apenas as memórias caídas
de um passado violento
a recordação do tempo em que
te incendiavas
procurando o deleite
de um presente diverso
apagou-se
no desejo que te ajeitava,
é como se
a tinta desses destroços reminiscentes
tivesse caído
e o cimento que sustinha
os pilares do teu ser
se desfizesse em pó
esse pó que se cheira e se espirra
Miguel Godinho
Alumiaste a ruela
dos tempos indefinidos
mas agora
assim sem mais
restam apenas as memórias caídas
de um passado violento
a recordação do tempo em que
te incendiavas
procurando o deleite
de um presente diverso
apagou-se
no desejo que te ajeitava,
é como se
a tinta desses destroços reminiscentes
tivesse caído
e o cimento que sustinha
os pilares do teu ser
se desfizesse em pó
esse pó que se cheira e se espirra
Miguel Godinho
quinta-feira, março 22, 2007
A opacidade que te envolve
O ar metálico da tua face
nos olhos que te observam
uma gema sedutora
uma nódoa de sangue
infliges uma embriaguês magnética
uma espiral que adormece
sinto-me fantoche às tuas ordens
boneco zonzo sem liberdade
mas
abstrais-te do prazer
ajeitas-te para as investidas
e a opacidade que te envolve
desvia-te desses atributos
Miguel Godinho
O ar metálico da tua face
nos olhos que te observam
uma gema sedutora
uma nódoa de sangue
infliges uma embriaguês magnética
uma espiral que adormece
sinto-me fantoche às tuas ordens
boneco zonzo sem liberdade
mas
abstrais-te do prazer
ajeitas-te para as investidas
e a opacidade que te envolve
desvia-te desses atributos
Miguel Godinho
quarta-feira, março 21, 2007
As invenções ardis
Todas as minhas ideias
são sobre ti
destroços de danças
em palavras soltas e
alegrias breves em
textos sem pontuação
mas
deita-te a meu lado
quando quiseres
lembra-te do tempo
em que nem eu nem tu
éramos nós: dança
nas palavras soltas,
nas memórias curtas de
risos breves e
quadras largas
estas são
as invenções ardis
engendradas para combater
a nossa ausência
agora
Miguel Godinho
Todas as minhas ideias
são sobre ti
destroços de danças
em palavras soltas e
alegrias breves em
textos sem pontuação
mas
deita-te a meu lado
quando quiseres
lembra-te do tempo
em que nem eu nem tu
éramos nós: dança
nas palavras soltas,
nas memórias curtas de
risos breves e
quadras largas
estas são
as invenções ardis
engendradas para combater
a nossa ausência
agora
Miguel Godinho
terça-feira, março 20, 2007
sábado, março 17, 2007
Há poesia nas ideias breves
Há poesia nas ideias breves
pedaços de magia que brotam intensos
reflexões românticas que vêm e vão
imensos rasgos de luz concisa
embriaguez de sonhos curtos
momentos estreitos que o vento conduz
essas meditações tão sumárias
só os românticos as tentam agarrar
riscando cadernos em noites escuras
como se a poesia dessas ideias
não existisse no momento
em que se as esquece
Miguel Godinho
A ausência II
O cansaço cicatrizou-te a súplica e
o desejo de retorno a um tempo
sem tempo esfumou-se por
entre este universo de quimeras
que habitas
agora
só resta o estigma que assevera a dor
e a dor que afirma a ausência
a tua
Miguel Godinho
Há poesia nas ideias breves
pedaços de magia que brotam intensos
reflexões românticas que vêm e vão
imensos rasgos de luz concisa
embriaguez de sonhos curtos
momentos estreitos que o vento conduz
essas meditações tão sumárias
só os românticos as tentam agarrar
riscando cadernos em noites escuras
como se a poesia dessas ideias
não existisse no momento
em que se as esquece
Miguel Godinho
A ausência II
O cansaço cicatrizou-te a súplica e
o desejo de retorno a um tempo
sem tempo esfumou-se por
entre este universo de quimeras
que habitas
agora
só resta o estigma que assevera a dor
e a dor que afirma a ausência
a tua
Miguel Godinho
Subscrever:
Mensagens (Atom)