Sábado, Novembro 14, 2009

Ainda que imaginemos mundos (10)

Na verdade
nem sei bem o que aqui faço
talvez esteja só à minha espera

Miguel Godinho

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Ainda que imaginemos mundos (9)

É uma guerra sensível:
os teus olhos nos meus
enquanto a recordação de que há idades
cor de rubi e um fogo pueril acontecem
fora do tempo, dentro de nós
no esplendor da vida delicada das mulheres
e de uma amarga demência
de sermos homens juvenis
para sempre

e o calor dos teus lábios
nesta treva intemporal
apenas prova que é uma guerra sensível:
os teus olhos nos meus

Miguel Godinho

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Ainda que imaginemos mundos* (8)

Se ao menos um incêndio
pudesse aliviar os nossos nomes
inscritos nestas manhãs de sangue
e a memória não pousasse sobre as palavras
viveríamos menos ausentes
não concordas meu amor?

Isto a vida é só um jogo de paciência e de cintura
neste caminho abreviado.

Sabes, todos os dias parece que acordo cansado
depois de longas noites de tensões
e nunca te sinto aqui

* O conjunto passou a ter agora esta designação, em substituição d' "Os mesmos dias"

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Os mesmos dias (7)



Por favor impeçam-nos de viver
neste mundo que se anuncia
não consintam o que de novo aí vem

arredem-nos daqui, levem-nos convosco
ou pelo menos permitam-nos a vida
enquanto rasgamos os olhos
na procura dessa outra realidade

andamos sempre tão sumidos
não descobrimos a passagem
para essoutro mundo perdido
que alguém jurou existir
(não este que se anuncia)

diante desta ilusão
rosáceas repletas de espinhos
haverá algo tão profundo
que nem um sonho consiga abarcar?
(não este mundo que se anuncia)

nós a querermos ser só nós
nós a querermos ser só nós
nós a querermos ser só nós
quantas vezes será necessário repetir?
(não neste mundo que se anuncia)

Miguel Godinho

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

(…) Esta noite os teus passos irromperam outra vez, desconcertados, na minha direcção. É estranho como os teus tentáculos me protegeram um dia. Tolheste-me a vida para sempre mas lá regressarei outra vez, desfeito. É estranho.


Agora circulo na solidão. E tu regressas sempre assim, pela calada, e eu permito a tua ausência e sou feliz porque... sinto-me vivo nestas tuas investidas nocturnas em que me atacas. Existo só nestes dias de inoperância mas ainda te imagino aqui, da mesma forma, intemporal. Onde habitas que eu já não sei? Já nada sei sobre nós…

A verdade é que a tua face ainda dirige os meus sonhos e eu de medo vou dissolvendo a escuridão desta quimera com o suor que me brota do olhar. E o teu olhar fora do tempo, como um projéctil perdido... Ah, o teu olhar... (…)

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Os mesmos dias (6)

Que silêncio é este que putrifica a ideia
e que memória é esta que resvala em silêncio
os silêncios aliviam sempre os meus dias ricos de
um cantar mudo e de medo apodreço
juntamente com a memória

ver-te ao longe, ver-te ao longe tão longe de mim
e varrer-te de mim para longe de mim, mais uma vez
estavas sempre junto de mim quando tudo desabava
e agora dizes-me que te tornaste eterna
lá longe enquanto a chuva lava o teu olhar
e eu me esqueço de nós
por agora

Miguel Godinho

Domingo, Outubro 18, 2009

Fotos

Happening "As maçãs do rosto"
Actuação de Rui Cabrita + projecção multimédia de Daniel Almeida

Apresentação do livro
"Os nossos dias seguido de Os Lugares Antigos"




Faro / Pátio de Letras / 16.10.2009

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Próxima apresentação do livro "Os nossos dias"
Por João Bentes

Seguida de:
Encenação de poemas por Rui Cabrita
Projecção multimédia por Daniel Almeida

Local:
Pátio de Letras
Sexta-feira - 16.10.2009 - 21h30
Consulte programa aqui.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Os mesmos dias (5)

Como balas, as palavras quietas, os sons silenciosos,
aquela mudez mortífera – é esta a verdadeira guerra dos dias:
os gritos da tua, da minha, da nossa dor
que escondemos para não magoar

Vivemos calados com tanto para dizer
e nestes silêncios impotentes
desejamos o que por entre dentes não falamos
para não ferir
enquanto morremos

O sonho: uma fuga desta gruta onde ninguém nos escuta,
onde não temos voz.
Não nos sentimos vivos assim.
Não somos aquilo que um dia sonhámos ser
mas não sabemos dizê-lo

http://www.youtube.com/watch?v=uKTcJqkfzNU

Miguel Godinho

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Os mesmos dias (4)

Ofereçam-me um chip
para modernizar a minha máquina
um daqueles que permita
o contentamento que se vê nos filmes

É curioso como insisto
em convencer-me que existimos
uma só vez. Os fantasmas provam-no:
ninguém quereria cometer
o mesmo erro duas vezes

Miguel Godinho

Sábado, Setembro 19, 2009

Todas as minhas palavras vão desaguar em ti. Todos os meus textos são o teu olhar. Ainda e sempre o teu olhar. Como desligar-me dele, dessa tua voz frouxa? Quase sempre acordo em ti, transpirado, como se fosse impossível dizer alguma coisa sem que me interrompas a chorar. “Não parti Miguel, não parti Miguel, não parti”. Bem sei que não. Ninguém me olhou nunca da forma que tu me olhaste, é verdade. Talvez por isso nunca tenhas realmente falecido. Por causa desse teu olhar frágil, dessa tua voz débil que teima em regressar. Escrevo como se te deitasse a meu lado outra vez. Escrevo para te sentir aqui, outra vez aqui. Escrevo para que nunca te vás. Para que nunca te vás.

Miguel Godinho

Terça-feira, Setembro 08, 2009

Próxima apresentação de
"Os nossos dias"

Livraria Trama, Lisboa
11 de Setembro, 21h30

Autor: Miguel Godinho

Por Inês Ramos

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Um poema de Pedro Afonso, a propósito do meu livro:

Um dia sentiu-se
o que era possível viver
e isso fugiu para sempre

Pedro Afonso

Terça-feira, Agosto 25, 2009

AQUI poderão ler o texto de apresentação do livro
"Os nossos dias seguido de Os lugares antigos"

Editora 4 Águas

Por Pedro Afonso

Feira do livro de Faro, 14 de Agosto 2009

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

O abismo expõe a sua perfeição

O abismo expõe a sua perfeição
sempre que o contemplamos bem lá de cima
de olhos cerrados sem medo da miséria
sem medo de nos olharmos nos nossos próprios olhos

Nada mais grandioso que a imensidão
desse infinito em que nos perdemos
sempre que procuramos as respostas
que nunca ninguém nos soube dar

É então que nas escolhas que fizemos
entendemos a nossa vida, o nosso lugar,
a nossa dor, a tua cara, longínqua
cada vez mais distante

Hoje como ontem carregamos o fardo
destes dias que se acertam sem que tenhamos
uma palavra a dizer
ninguém pediu para cá estar

E assim continuamos a escrever
o livro das nossas vidas, justificando
os uniformes que envergamos
na procura de uma verdade maior

E às vezes sentimo-nos leves, às vezes esgotados
mas a vida é isto mesmo, uma estrada enlameada
um mundo que alguém construiu
sob estacas de uma madeira apodrecida

Miguel Godinho

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Se ao menos houvesse um mecanismo

Se ao menos houvesse um mecanismo
que me devolvesse a tua face,
a claridade do tua semblante

Os dias já não nascem iguais
e o nosso olhar tornou-se distante
é como se já não fossemos um

Ainda que nos inventemos a cada dia que passa
ainda que imaginemos mundos que já não existem
a claridade já turvou meu amor
nada mais injusto que esta certeza

No verbo que nenhum de nós já consegue proferir
a verdade da mentira a agredir-nos a determinação
e nós aqui a perdermos tempo,
a vermos a vida a passar-nos ao lado

Miguel Godinho

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Apresentação do livro
"Os nossos dias seguido de Os lugares antigos"
Por Pedro Afonso
Sexta-feira / 14 de Agosto / 21h30 / Stand Sulscrito/4 Águas
Feira do livro de Faro
Apareçam!

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Na realidade
pouco mais há a acrescentar
à verdade que o vento revela

Apercebo-me disso no exacto momento
em que te vejo descer
sete palmos abaixo de terra

Miguel Godinho

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Já existe. Já é físico. Já se pode tocar.
"Os nossos dias seguido de Os lugares antigos"
Por enquanto, à venda no Pátio de Letras e na Feira do Livro de Faro.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Brevemente

Uma edição 4 Águas